Pessoas perfeccionistas se estressam mais

Mestre em Psicologia, Maura de Albanesi, explicar as consequências e possíveis tratamento para esse comportamento

É por causa deste sentimento que muitas pessoas atingem seus objetivos profissionais e pessoais com êxito. Já a forma exacerbada em busca da perfeição em resolver os próprios problemas e os dos outros, contudo, pode causar hostilidades e atrair sentimentos negativos.

Durante a vida, erros e acertos fazem parte do processo de evolução do ser humano, seja no campo profissional, na vida amorosa, no relacionamento entre amigos, etc. Há pessoas, porém, que não conseguem encarar o erro como uma oportunidade de reflexão e crescimento, demonstrando verdadeiro pavor e problemas físicos só de pensar nesta possibilidade, mesmo que o erro seja cometido por outra pessoa.

Quem não aceita a possibilidade de falhar geralmente tem uma característica bastante peculiar, ou seja, a vaidade exacerbada não permite que outra pessoa realize alguma tarefa no seu lugar, pois existe a insegurança de que alguém próximo cometa alguma falha que poderia ser evitada. “Neste estágio em busca da perfeição, o medo de errar passa a ser uma cautela exagerada. Uma vez que existe a possibilidade de planejamento, entretanto, mesmo assim, é possível que aconteça algum problema, que faz parte da vida, o que é um processo, natural. Há pessoas, porém, que não aceitam o próprio erro, nem dos demais que a rodeiam, a ponto de assumir compromissos e tarefas que correspondem aos outros”, comenta a psicoterapeuta e líder-coach Maura de Albanesi.

A pessoa que se compromete em resolver tudo, as suas tarefas e a dos outros, afirma a psicoterapeuta, provavelmente somatizará no seu corpo toda a tensão e estresse que essas atividades extras trarão para o seu dia a dia, com dor nas costas, no corpo, tendinite, insônia, entre outras consequências. “Essa pessoa ficará muito preocupada em acertar, para não decepcionar ou prejudicar o colega cujas tarefas e a confiança do amigo ele assumiu. Desta forma, surgirá uma autocobrança implacável para não falhar”, alerta Maura.

O medo de errar tem o seu lado bom, afirma a especialista. Esta maneira de encarar a vida, geralmente, proporciona satisfação do ego, da vaidade e, sobretudo, a satisfação em resolver bem os seus problemas e o dos outros. Agora, quando uma tarefa não é resolvida satisfatoriamente, essa pessoa poderá entrar em depressão, a ponto de não conseguir se reerguer tão cedo. “Isso acontece devido ao fato do perfeccionista só enxergar o lado ruim de uma derrota, ou seja, não consegue visualizar a possibilidade de buscar outros caminhos para chegar ao resultado final com mais sucesso”, explica a psicoterapeuta.

Causas e consequências do perfeccionismo
A especialista faz uma explicação mais detalhada das características da pessoa que tem eminente medo de falhar. Segundo ela, quem se julga capaz de resolver tudo com perfeição, se coloca num tufão de vibrações, ou seja, num funil que absorverá os sentimentos e emoções de todas as pessoas que a cercam. A partir deste momento, o perfeccionista não conseguirá dizer “não” para ninguém, entendendo que todos os problemas passarão a ser dele, e não mais de quem pediu ajuda, pois o prazer desta pessoa é resolver tudo. “O problema da esposa, do filho, do amigo, é dele. Ele passa a ser uma força canalizando, puxando tudo para si, a ponto de provocar um distúrbio físico até o corpo não aguentar mais. Na oportunidade que essa pessoa tiver para o lazer e curtir a vida, vai preferir dormir a se reabastecer com outras atividades prazerosas”, observa a psicoterapeuta.

Tratamento
A psicoterapia visa ajudar qualquer pessoa a enxergar o lado positivo e o negativo de um erro. “O lado bom, por exemplo, é que muita gente só conquista seus objetivos por causa desta vaidade exorbitante. Entretanto, o tratamento vai ajudar essa pessoa a ser um pouco mais flexível”, explica Maura. “Centralizar tarefas e canalizar energias não é bom para ninguém. Enquanto o perfeccionista continuar atraindo e canalizando energias dos outros, o tratamento clínico será paliativo, os sintomas físicos continuarão até ele entender como funcionam as vibrações do universo. Na hora que ele parar de se cobrar e aceitar que pode errar e também delegar tarefas para os outros, o “funil de energias” deixará de estar sobre seu campo energético, passando desta maneira, a ter uma vida mais flexível e tranquila”, finaliza a especialista.

Fonte: Maura Albanesi é mestre em Psicologia e Religião pela PUCSP, Pós-Graduada em Psicoterapia  Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica, atua com o ser humano há mais de 30 anos.

 

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