Idosa vira desenvolvedora de games para melhorar a saúde

O mundo digital mostra ao idoso uma nova perspectiva da vida

As avós já têm toda a magia, além da ternura e do amor, mas Tereza Brocardo, de 77 anos, tem um diferencial, ela é desenvolvedora de games. Ela participa da iniciativa da International School of Game (ISGAME) que oferece gratuitamente, todo o semestre, cursos para maiores de 50 anos.

Imagem: arquivo pessoal

Tereza conta que seu encontro com as tecnologias começou mexendo de maneira despretensiosa em computadores, depois realizou um cursinho básico e entrou para o curso de programação de games. Até agora ela já desenvolveu dois games e revela que tem aproveitado também para jogar. A prática, segundo ela, tem ajudado no raciocínio e na memória, já que estimula os neurônios. O próximo passo é criar um jogo para presentear os netos no natal. 

A desenvolvedora de games participou no último mês de um painel sobre inclusão social por meio de jogos destinado a pessoas com mais de 60 anos para contar suas experiências. O bate-papo foi no BIG Festival, o maior evento de games independentes da América Latina, em São Paulo. 

Os cursos da ISGAME são oferecidos em São Paulo e a metodologia proporciona o desenvolvimento do raciocínio lógico, criatividade, trabalho em equipe, planejamento e concentração. Todo semestre é possível fazer a inscrição, basta ficar de olho no site.

Segundo o presidente da escola, já são mais mais de 200 alunos acima de 50 anos, eles têm o apoio de desenvolvedores, neuropsicólogos e fisioterapeutas. Todas as aulas são presenciais e eles aprendem o conceito dos games, a metodologia e o desenvolvimento.

Outra inovação nesta área são os chamados SERIOUS GAMES, jogos digitais que vão muito além do entretenimento e a diversão, mas colaborar com o desenvolvimento cognitivo das pessoas. Os pesquisadores da Nature International Weekly Journal of Science descobriram as vantagens disso. “O videogame aumentou o desempenho cognitivo dos idosos e seus ganhos permaneceram por 6 meses. Esses achados sugeriram que pode existir muito mais plasticidade no cérebro de um idoso do que se imaginava anteriormente”, revelaram. 

Tecnologia que faz bem

O mundo digital pode trazer muitos benefícios para a saúde mental e física dos idosos. Segundo o IBGE, o número de pessoas com mais de 60 anos que usam a rede mundial de computadores saltou de 24,7% para 31,1%, entre 2016 e 2017.

Em primeiro lugar, aprender algo novo permite estimular a mente e pode ajudar na prevenção de doenças. Especialistas consideram, por exemplo, que manter a cabeça em funcionamento, estudando, lendo e aprendendo novas habilidades ajuda a manter a síndrome de Alzheimer. A inatividade cognitiva aumenta em 19% o risco de ter Alzheimer.

Por outro lado, eles que já estão tão experientes descobrem um mundo completamente novo e se abrem para ele. A tecnologia ajuda a sair do tédio do dia a dia. Assim como a Tereza descobriu os jogos, muitos idosos podem descobrir novas habilidades e assuntos de interesse como gastronomia, viagens, pessoas e muito mais. 

Além da interação social nas aulas, sejam elas as de desenvolvimento de game ou apenas de informática, os idosos têm a possibilidade de conversar com pessoas por meio da Internet, até se aproximarem de entes queridos que morem longe, por exemplo.

Iniciativas como a da ISGAME estão cada vez mais comum, assim, os idosos se sentem integrados no mundo digital e melhoram a saúde.

 

Tags: qualidadedevida

Veja mais