Dizer "não" é fundamental para a educação financeira dos filhos

De pedido em pedido, lá se vai o planejamento financeiro da família

Para muitas famílias, levar crianças às compras é um verdadeiro transtorno. Elas pedem tudo e não aceitam um "não" como resposta: choram, batem pé, fazem escândalo. Envergonhados, muitos pais acabam cedendo aos apelos dos pequenos. E, de pedido em pedido, lá se vai o planejamento financeiro da família.

Dizer não pode ser difícil, mas é necessário. E não apenas por causa do orçamento doméstico, mas, sobretudo, para a construção da personalidade e saúde psicológica das crianças. “Impor limites é importante para estruturar a personalidade da criança, tanto emocional, quanto cognitiva e socialmente. Crianças bem-educadas, com delimitação de limites e obrigações, tendem a ser mais respeitosas, simpáticas e empáticas”, afirma Marcelo Quirino, psicólogo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A psicóloga Cynthia Wood, especialista em psicopedagogia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, acrescenta que é responsabilidade dos pais ensinar a criança a lidar com as frustrações. Segundo a profissional, se os pais não ensinarem essa habilidade, ninguém ensinará e, no futuro, a criança se tornará um adulto que não sabe trabalhar em equipe, respeitar chefes ou, mesmo, lidar com os problemas do cotidiano e, naturalmente, com as próprias finanças.

Os especialistas aconselham que a palavra “não” esteja presente no diálogo entre pais e filhos desde os primeiros anos. Quanto mais cedo, mais fácil e tranquilo será o aprendizado dos limites. Veja, a seguir, a forma mais adequada de falar “não” às crianças de diferentes faixas etárias:

Até 2 anos – nessa primeira fase, o bebê ainda está incorporando os conceitos relacionados à cada palavra. A palavra “não” é dita, sobretudo, em situações em que o bebê pode se expor a risco e tem que ser repetida inúmeras vezes. Sempre com tranquilidade e paciência, mas firmeza.

Dos 3 aos 5 anos  a criança entende bem o significado da palavra “não”, mas retém informações por curto período de tempo e, além disso, tentará de tudo para fazer valer sua vontade. Essa é a fase da teimosia. Portanto, as repetições continuam necessárias. Em resposta a pedidos, os pais podem começar a dizer que determinados presentes são dados somente em datas especiais, como aniversário ou Natal. Para ajudar a criança a entender a noção de tempo, os pais podem mostrar no calendário as datas de quando ela poderá ganhar o presente.

Dos 5 anos aos 10 anos  a criança já tem uma noção de tempo e pode compreender perfeitamente a explicação de que os pais não ganham o suficiente para determinada compra. Mas poderá testar a paciência deles. Os pais devem manter a palavra e não se alterar diante da insistência dos pequenos.

Pré-adolescentes (entre 10 e 14 anos)  os pais já podem explicar que pagam colégio, médico, supermercado e já podem mostrar o quanto sobra para investir em projetos e desejos pessoais. Nessa idade, a palavra “não” a pedidos de compras pode ser justificada pela própria planilha de orçamento familiar.

Tags: educação financeira família filhos qualidade de vida

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