Conheça seu “eu” financeiro

A educação financeira começa com a análise dos seu comportamento em relação ao dinheiro

A jornada para se transformar em uma pessoa organizada financeiramente passa por diversas etapas. E conhecer seu “eu” financeiro é um dos passos iniciais. Tudo começa com o hábito de anotar todos os gastos. Com isso, você começa a entender para onde seu dinheiro está indo e o peso de cada despesas dentro do seu orçamento.

No entanto, quem quer fazer as pazes com o orçamento precisa entender que esse controle de receitas e despesas não funciona sozinho. O “pulo do gato” é observar os padrões de comportamento que estão por trás dos números. Aí, fica mais fácil descobrir com o que você gasta e em quais momentos, ou que dia da semana ou do mês suas despesas são maiores.

Ao registrar seus gastos diariamente, é provável que você perceba uma série de compras absolutamente dispensáveis, as quais, no entanto, estão lá, inchando seu orçamento e consumindo seus rendimentos. Esse é um mal que precisa ser atacado desde o instante em que você decide organizar suas finanças.

Observe tudo o que consome e em quais situações essas compras são feitas. Você logo irá perceber que, em diversos momentos, suas compras são motivadas pela busca de satisfação emocional, não da real necessidade de determinado produto. A partir de agora, pare e reflita antes de comprar.

O dinheiro não compra tudo
Se você tem pouco tempo para seus filhos e sente-se culpado por isso, não se iluda. Entrar no cheque especial para comprar um brinquedo de última geração a fim de compensar sua ausência definitivamente não é uma solução. Fazer um esforço para chegar em casa um pouco mais cedo, nem que seja um dia por semana, com certeza irá melhorar essa situação e, ainda, preservar sua conta-corrente.

Caso seu parceiro não lhe dê atenção que você merece, o melhor a fazer é sentar e tentar resolver essa situação juntos. Descontar a raiva que sente dele estourando o limite do cartão de crédito só fará que você se sinta ainda pior no final do mês.

Se os colegas de trabalho menosprezam sua competência, é possível  que você precise rever a postura profissional que desenvolveu. De nada adiantará ficar com a corda no pescoço para manter o financiamento de um automóvel, esperando que, ao invejarem o carro que você tem, eles passem a admirá-lo ou respeitá-lo.

Em resumo:  não tente comprar coisas que seu dinheiro não pode comprar. Tal atitude apenas lhe trará mais sensação de culpa, raiva, insegurança e, o que é pior, desequilíbrio financeiro.

Esteja atento às suas reações
Toda vez que você for comprar algo, procure observar o sentimento e a motivação por trás dessa ação. Responda com sinceridade se você precisa daquilo, naquele momento, ou se essa compra poderia perfeitamente ser adiada. Acredite: se adiar a compra por um ou dois dias, perceberá, na maioria da vezes, que não precisa, de fato, daquele item.

Muitas vezes, grande parte das compras se dá por impulso. Seja como forma de extravasar sentimentos, seja pela sensação de poder que o ato de comprar proporciona. É preciso que você deixe de se enganar e esteja determinado a mudar sua vida financeira. Mesmo que as finanças estejam em ordem, o conselho é pensar duas vezes em toda e qualquer situação de compra. Caso sinta-se emocionalmente vulnerável, para evitar as compras por impulso, siga essas orientações:

  • Resista ao impulso: deixe para o dia seguinte, pois, se esse item for realmente necessário, você voltará para comprá-lo.
  • Não compre nada que você não tenha certeza de que precisa e que realmente irá agregar algo à sua vida.
  • Se for possível, experimente o bem desejado para ter certeza do que lhe agrada.
  • Não leve dinheiro ou cartão de crédito ao sair de casa se não tem intenção de efetuar uma compra.
  • Se não possuir dinheiro suficiente para comprar o que deseja, evite compras a prazo.
  • Verifique se esse gasto cabe em seu orçamento.

Isso vale desde uma bijuteria até um automóvel. Não importa o preço. Importa o porquê do consumo. Se for por impulso, esqueça. Fazer uma reflexão sobre como essa moeda de troca chamada dinheiro interfere diretamente em nossos sentimentos é fazer uma terapia financeira que demanda, necessariamente, conhecimento e domínio sobre o próprio “eu financeiro”.

Ter domínio sobre sua vida financeira é muito mais que saber quanto você ganha e quanto gasta. É preciso sofisticar  esse entendimento: saber como gastar. Com isso, você será capaz de despertar a capacidade adormecida que tem para gerir com sucesso seus recursos e viver com prosperidade.

 

Post escrito com base no livro Terapia Financeira (Reinaldo Domingos)

Tags: comportamento consumo educação financeira finanças planejamento financeiro

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