Cigarro eletrônico é de fato menos prejudicial?

Tendência entre os jovens tem preocupado especialistas

O cigarro eletrônico surgiu como uma alternativa menos prejudicial à saúde que o cigarro convencional e um auxílio para as pessoas que tentam parar de fumar. Contudo, o aparelho tem sido alvo de polêmicas e divergências sobre como ele pode causar danos à saúde. 

Chamado de dispositivo eletrônico para fumar (DEF), o cigarro difere do tradicional porque ele não queima o tabaco, assim não tem as milhares de substâncias tóxicas. Os aditivos sofrem aquecimento, são transformados em vapor e o usuário aspira. 

A estrutura dele é composta por uma bateria de lítio recarregável, uma ponteira, que é onde o usuário “fuma” e um tanque onde coloca o líquido. Geralmente os aditivos são propilenoglicol, glicerina vegetal, água, nicotina e aromatizantes que dão sabor ao cigarro e tem composições diferentes dependendo do tipo de produto.

Mas afinal, ele é ou não menos prejudicial? Uma agência de serviço de saúde da Inglaterra, a Public Health England (PHE), fez um teste para comparar os dois cigarros. Colocaram um pedaço de algodão exposto durante um mês ao fumo do tabaco e, o segundo, ao vapor dos eletrônicos. O pote que recebeu o tabaco queimado estava com um aspecto impregnado, pegajoso e escuro, carregado de alcatrão. A outra amostra continha apenas vapor.

No final, os pesquisadores concluíram que a caneta eletrônica é realmente menos prejudicial à saúde e pode auxiliar na redução do impacto na saúde pública associado ao consumo de cigarros.

Algumas outras pesquisas já demonstram o contrário. Já foram constatadas lesões ao coração, pulmão, bexiga e estômago. E o mais preocupante: mesmo com pouco tempo de uso, como dois ou três meses.

Aqui no Brasil a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por exemplo, já afirmou que não existem pesquisas conclusivas que comprovem a segurança desse tipo de dispositivo. Inclusive o governo, em 2009, proibiu a comercialização, importação e propaganda de qualquer DEF no país por meio da resolução RDC 46/2009. Contudo, é comum ver jovens utilizando, a venda é feita em sites ou lojas de produtos importados.

E são exatamente os jovens que preocupam as autoridades, segundo dados da entidade americana US Surgeon General, em 2017, mais de 2 milhões de estudantes americanos em nível escolar declararam ao órgão serem usuários regulares da caneta eletrônica, o que considera-se proporções epidêmicas. 

Jovens que nunca tinham fumado cigarro na vida se sentem atraídos pela moda e pelo sabor que as opções eletrônicas proporcionam. Especialistas brasileiros consideram que para que o índice no Brasil não chegue à imensidão do americano, é preciso que a comercialização continue proibida. 

Ainda não se tem certeza se esse dispositivo é de fato menos prejudicial, contudo, se você deseja parar de fuma, recomenda-se outras saídas. Atividades físicas, boa alimentação e a ajuda de um profissional capacitado pode ser muito mais saudável para se livrar do vício. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito. É possível ter mais informações nos centros ou postos de saúde e na Secretaria de Saúde do município de residência.

Tags: qualidadedevida saúde

Veja mais