Aplicativo chinês mostra mapa com os devedores próximos a você

Entenda os perigos por trás deste tipo de iniciativa

O governo chinês, vez ou outra, toma conta dos noticiários mundo afora. Nos últimos meses, pudemos acompanhar o desdobramento de uma verdadeira guerra comercial entre China e Estados Unidos, com a promoção de retaliações de ambas as partes e declarações polêmicas de empresários de grandes corporações originárias dos dois países.

Mais recentemente, veio a público o avanço da China em uma política de segurança bastante controversa. Equipamentos de reconhecimento facial estariam sendo empregados para identificar qualquer cidadão chinês em vias públicas e aferir se a pessoa seria responsável por crimes ou qualquer outro tipo de delito.

A reboque dessa tecnologia, surgiu um app que seria capaz de identificar devedores que estariam ao seu redor. Isto é, com aplicativo instalado no smartphone, qualquer pessoa poderia identificar quem estivesse com o nome negativado em cadastros de proteção de crédito como o nosso SPC.

Quer saber mais sobre esse polêmico recurso que tem o potencial de ser exportado para outros países? Continue a leitura!

Como um app pode dedurar caloteiros?

Pensando em termos de responsividade e segurança das aplicações para celular, muita gente deve estar se perguntando como um simples app pode localizar cidadãos devedores na China. Bem, quanto a isso devemos destacar que a história é mais longa do que se faz entender em um primeiro momento.

Para se chegar a esse nível de violação das informações, o governo se valeu de uma estratégia um tanto escusa. O aplicativo de mensagens mais popular do país, o Wechat (correspondente ao nosso whatsapp) simplesmente roubava informações de todos os usuários e as transmitia para o governo, que a partir disso criou uma base de dados como nenhuma outra já existente.

Foi esse volume de dados que permitiu ao governo desenvolver aplicações como as de reconhecimento fácil e georreferenciamento de devedores.

Como o app funciona na prática?

O objetivo do governo com o desenvolvimento deste tipo de aplicativo não é simplesmente constranger por constranger os cidadãos. O que se quer com esse tipo de iniciativa é fazer com que os devedores saldem seus débitos, seja com as empresas ou com o próprio Estado, no caso de taxas e tributos.

De forma mais ampla, se especula que no futuro essas ferramentas servirão para moldar a conduta das pessoas, que com medo da exposição negativa, passarão a ter cuidado redobrado não somente com sua vida financeira, mas com seu comportamento de maneira geral.

Até que ponto não se trata de violação de privacidade?

Toda essa movimentação do governo chinês gerou uma grande discussão sobre a violação de direito civis das pessoas.

Como se pode perceber pelo próprio funcionamento do aplicativo, o que era só um futuro improvável tem tomado contornos de realidade. E sem uma resposta firme da sociedade civil organizada, é de se esperar que governos autoritários avancem com esse tipo de proposta.

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