Não desanimar diante das dívidas é o primeiro passo para superá-las

Conformar-se com a situação não é o caminho para resolvê-la, e virar o jogo a seu favor é possível

Ver as contas se acumularem mês a mês, enquanto o saldo bancário continua negativo, pode ser desesperador. Diante desta situação, muitos optam pela resignação e pelo desânimo, aceitando o endividamento como um mal impossível de reverter. Mas conformar-se com a situação não é o caminho para resolvê-la, e virar o jogo a seu favor é possível. Basta encarar uma mudança de rumos.

Avalie onde está e até onde pretende ir
Imagine sua vida financeira como uma viagem. É o que propõe o consultor Bruno Amaral Azevedo, especialista em educação financeira. Ele afirma que é preciso estabelecer um objetivo, o ponto onde se quer chegar. O equilíbrio das contas pode ser a primeira parada, mas você pode inclusive ir além, vislumbrando a conquista de um futuro mais tranquilo e próspero.

Contudo, antes de definir o destino de sua viagem, é preciso identificar de onde vai partir. “Para se planejar rumo aos seus objetivos é muito importante saber qual sua atual e real situação financeira. É impossível planejar o futuro sem saber onde estamos hoje”, diz Azevedo. Segundo o educador financeiro, muitas pessoas não têm coragem de saber a verdade e preferem se enganar sobre o atual momento de vida. Portanto, lápis, papel e calculadora à mão: é hora de avaliar minuciosamente o orçamento e as contas.

Aceite o preço a pagar
Toda jornada tem um custo. “É importante que a pessoa endividada seja otimista em relação à própria capacidade de superação. Mas ela também não pode ter uma autoconfiança exagerada, que a impeça de levar em conta a realidade, achando que uma pequena economia já será capaz de resolver o problema”, alerta Vera Rita de Mello Ferreira, professora de Psicologia Econômica da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras e autora do livro Decisões Econômicas - Você Já Parou Para Pensar? (Editora Évora).

A psicóloga recomenda admitir que a situação saiu do controle e aceitar que serão necessários alguns esforços para cobrir o buraco; talvez você precise fazer alguns cortes de gastos, por exemplo. Mas não encare sozinho essa jornada. “Busque apoio; pode ser na família, em grupos de autoajuda, como os Devedores Anônimos ou em organizações de defesa do consumidor, como o Procon, que possui um programa que ajuda na resolução de dívidas, o Programa de Apoio ao Superendividado”, sugere Vera.

Caminhe em direção ao saldo positivo
Depois de avaliar o problema com serenidade, o economista Eduardo Senra Coutinho, doutor em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais, propõe mais cinco passos em direção à estabilidade financeira. “Em segundo lugar é preciso identificar as dívidas com maiores encargos financeiros e tentar quitá-las primeiro. O terceiro passo é renegociar as dívidas restantes.

O quarto passo é não realizar nenhuma outra compra financiada até que todas as dívidas estejam devidamente quitadas. Por último, é fundamental organizar o orçamento doméstico para ajustar as despesas à renda, lembrando-se de incluir as prestações das dívidas renegociadas entre as despesas”, ensina o economista.

Tags: dívidas endividamento orçamento organização financeira

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