Estilo de vida precisa se adaptar ao orçamento e não o contrário

Quem vive cheio de dívidas, com a conta bancária sempre no vermelho, provavelmente está adotando um estilo de vida não condizente com a renda mensal

"É velho, mas está pago!”. Um adesivo com essa frase colado na traseira de um carro –  velho, naturalmente! – pode revelar duas coisas. A primeira é que o dono do carro tem senso de humor. E a segunda é que ele não brinca com o próprio orçamento: tem os pés firmes no chão e não vai entrar numa dívida pesada apenas para sair andando de carro novo. Porém, há muita gente que, ao contrário, causa uma bela impressão com o carro do ano e roupas de grife, mas foge dos credores.

Quem vive cheio de dívidas, mas com a conta bancária sempre no vermelho, provavelmente está adotando um estilo de vida que não está alinhado com a renda mensal: isso acontece quando os valores gastos são maiores do que os recebidos. Simples assim? Nem tanto. “Adaptar o estilo de vida ao orçamento muitas vezes é uma questão mais comportamental do que matemática. É preciso desenvolver equilíbrio emocional”, diz Alexandre Viana, consultor financeiro e economista graduado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Segundo Viana, é essencial saber diferenciar as necessidades dos desejos, por meio do autoconhecimento. “O equilíbrio emocional vem da maturidade em saber lidar com a frustração de não adquirir algo que se deseja, adaptando o estilo de vida ao orçamento disponível, ou seja, abrir mão de adquirir algo para, em troca, ter uma vida financeira mais saudável e menos estressante”, diz o consultor.

É também o que pensa Lucas Madaleno, especialista em Ciências Contábeis pela PUC de São Paulo. Ele acredita que, para resistir ao bombardeio de campanhas publicitárias de todo tipo de produtos e serviços, o primeiro passo é rever os próprios valores. “A pessoa precisa entender o que é realmente importante para ela e, com base nesses valores, planejar seus gastos”, afirma.

É preciso ter sonhos
Contudo, alinhar o estilo de vida ao orçamento não significa abrir mão de seus sonhos. Na verdade, é o oposto disso. Segundo Alexandre Viana, as pessoas que não têm sonhos bem definidos e não se planejam para o futuro tendem a viver ao sabor das marés financeiras. E, entre altos e baixos, se estressam muito. “O estresse que a pessoa sente em relação às suas finanças demonstra o quanto o estilo de vida está alinhado ao orçamento”, afirma.

Ele recomenda, portanto, planejamento. “Tenha metas e sonhos bem definidos, saiba o que quer alcançar e planeje um caminho para chegar lá. Se a pessoa segue as metas, tem autoconhecimento, equilíbrio emocional, sente-se segura e confiante com as escolhas que fez, consegue poupar e pagar as contas que ela mesma escolheu que chegassem à sua porta”, diz o consultor.

Tags: dívidas endividamento estilo de vida gastos

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